KVSH revela que 1º cachê foi uma garrafa de vodka: 'Bebi com os amigos'
Com 11 anos de carreira, Luciano Ferreira, 31, conhecido como KVSH, subiu o palco do CarnaUOL 2025 como o representante da música eletrônica. O Dj mineiro relembrou sua trajetória e vibrou com a oportunidade de se apresentar ao lado de grandes nomes e até se recordou de seu primeiro cachê inusitado: uma garrafa de vodka.
Meu primeiro cachê foi uma garrafa de vodka e lembro que bebi ela inteira com os amigos. Nós que somos DJs no início, os caras trocam [apresentações] em ficha de bar, ficha de espetinho, tá ligado? Fiquei quase um ano com esses cachês e a gente tinha que se virar. Depois, o primeiro cachê em dinheiro foi R$ 150 e eu acho que bebi ele também.
KVSH, em entrevista exclusiva para UOL
Show no CarnaUOL: liberdade para inovar
A apresentação no CarnaUOL teve um significado especial para KVSH. O lineup diverso do festival abriu espaço para o Dj explorar novas sonoridades e brincar com a pista. "É maravilhoso estar aqui. Não tem um lugar melhor para testar as coisas novas, para brincar, me soltar e me divertir. Algumas pistas temos uma certa responsabilidade quando é um pouco mais eletrônico ou muito pop. Quando a gente vê um lineup como esse, nos sentimos livres para criar, performar e ser felizes. Se você me viu tocando ali, viu que eu estava com um sorrisão no rosto, como se fosse o melhor dia da minha vida."
Por que escolheu KVSH como nome artístico?
O nome artístico de KVSH (pronuncia-se "cân-chi") vem de sua infância nas Lan Houses, onde teve o primeiro contato com a música eletrônica jogando games como "World of Warcraft", "GTA" e "Counter-Strike". "Precisava de um apelido, e a galera tinha colocado de Kush, que era K-U-S-H. Nos jogos, gostamos muito de trocar as letras, tipo A pelo 4, tipo U pelo V. Foi assim que surgiu K-V-S-H."
Onze anos de carreira e novos desafios
Com mais de uma década de estrada, KVSH se consolidou como um dos grandes nomes da eletrônica no Brasil. Agora, ele busca expandir seu som para o exterior. "Fiz todos os maiores festivais do Brasil e todos os maiores clubes mais de uma vez. A gente chega num momento de pensar o porquê de fazermos este som? Eu chego num momento hoje que desperto uma certa vontade de levar o meu som para fora."
Algumas pessoas sabem que no momento pós-pandemia vários artistas, principalmente DJs brasileiros, foram requisitados lá fora, mas decidi abraçar mais o Brasil. Senti uma necessidade de tocar em alguns lugares, mas senti a falta de cumprir uma missão e tocar em várias cidades do interior. Eu acho que o interior do Brasil é muito maior do que as capitais. E aí, depois de executar isso nos últimos dois anos, hoje eu estou com essa cabeça: como que eu posso levar meu som adiante? Então, estou com um pouco dessa vontade de tentar. Eu acho que é o início de uma carreira internacional.
Desafio de ser artista independente
KVSH destaca as dificuldades de quem segue na música eletrônica sem o suporte de grandes gravadoras. "Música não é para qualquer um. Se você não amar muito o que faz sendo um artista independente, você vai deixar de lado. É um leão por dia. A música eletrônica tem seu lugar no Brasil, mas ainda é muito pequeno frente aos outros estilos musicais."
Sinto um pouco de falta dos apoios das gravadoras, dos principais selos, para fomentar mais ainda. UOL é um dos poucos veículos que vejo fomentando a música eletrônica. Estamos plantando alguns frutos que vamos colher em breve. A música eletrônica é muito grande em vários países e, em breve, será aqui no Brasil.
Realizações profissionais
Realizei praticamente tudo o que eu sonhava. É muito difícil quando a gente fala em sair de uma cidade do interior de Minas [Nova Lima], fazendo música eletrônica, sem empresário, sem dinheiro, sem nada. Só de eu ter saído do meu bairro para tocar, numa outra cidade, para mim já foi uma conquista enorme.
Estourei vários hits sendo artista independente, importante pontuar, estourei vários hits da eletrônica sem ter dinheiro para colocar. Toquei em vários festivais, cheguei a tocar no Ultra [Music Festival], que era o meu sonho. Agora é mais pelo propósito do KVSH se conectar e passar essa energia para frente, sabe? Eu quero ver novos artistas, novos produtores e novas pessoas para dar sequência nisso.
Planos para 2025
O artista afirma que segue aberto a novas possibilidades e sem pressão sobre sua próxima fase. "Tô deixando a vida meio que levar. Sem pressão de empresário, do momento e de estilo. Quando a gente tem muita pressão e se planeja demais, as coisas acabam não acontecendo. Temos o bloco novo do Carnaval, a minha corrida Let's Cush, misturando um evento de música eletrônica com uma corrida, e diversos festivais no Brasil."
Em março, embarco para minha turnê nos Estados Unidos, com sete cidades inéditas, como headliner. Está indo bem.