Anfavea: carro mexicano sai 12% mais barato do que brasileiro ao consumidor
Resumo da notícia
- Pesquisa sobre "custo Brasil" aponta vantagens comerciais do México
- Associação cita carga tributária e burocracia como entraves
- Montadoras querem aumentar exportações e cobram reformas
Estudo encomendado pela Anfavea, a associação das montadoras, e já apresentado ao Ministério da Economia aponta as diferenças de competitividade e custos de produção de automóveis entre o Brasil e o México -- países que têm livre comércio, sem limitação de cotas, desde março passado.
O levantamento também indica o impacto desse custo ao consumidor brasileiro, se modelos feitos aqui passassem a vir importados do país norte-americano.
De acordo com o estudo, encomendado à consultoria PwC e detalhado hoje, atualmente um veículo feito no México e vendido aqui custaria 12% a menos que modelo idêntico com produção nacional, em uma situação hipotética. Isso incluindo os custos com logística para trazer o carro da América do Norte ao Brasil, de seis pontos percentuais sobre o valor final.
O levantamento do "custo Brasil" conclui que essa diferença de competitividade para os mexicanos se dá primeiramente pelo gasto menor para fabricar um veículo no México, comparando com o Brasil: 18% a menos que aqui.
Esse percentual de 18% leva em conta materiais e componentes, mão de obra direta, logística, a própria produção e despesas administrativas. De acordo com a pesquisa, no Brasil os gastos associados diretamente à montadora, excluindo materiais e peças, representam 1/3 do custo total de produção aqui -- e são responsáveis por 55% da diferença de custo entre Brasil e México.
A Anfavea também destaca os gastos trabalhistas e encargos sociais, maiores aqui, trâmites aduaneiros, com impacto entre 30% e 40% sobre o custo final de produção, e a própria escala de produção dos mexicanos, maior que a nossa.
Perfis diferentes
O México, aponta a entidade, hoje produz cerca de 3,9 milhões de veículos/ano, a maior parte para exportação, com cerca de 90% de ocupação da capacidade produtiva -- do total, apenas cerca de 500 mil unidades são para abastecer o mercado interno. No Brasil, por sua vez, a produção é de 2,7 milhões de veículos/ano (dados de 2018), com ociosidade na cada dos 40%. Aqui é o contrário: cerca de 600 mil unidades feitas aqui foram destinadas a outros mercados no ano passado.
A associação das montadoras informa que os mexicanos mantêm 12 tratados comerciais com 46 países, enquanto o Brasil tem apenas seis acordos com 11 países. O México tem os Estados Unidos e seu mercado interno de até 17 milhões de veículos/ano como principal parceiro no setor automotivo, com movimentação de US$ 103 bilhões em 2017. Já o Brasil tem como maior parceira a Argentina, que passa por grave crise, com a qual movimentou US$ 12,4 bilhões no mesmo ano, o melhor de exportações de veículos na história brasileira.
Até 44% de carga tributária aqui contra 18% lá
"No Brasil, incidem sobre o preço do veículo algo entre 34% a 44% de tributos, enquanto no México são cerca de 18%. O sistema tributário brasileiro é caro e complexo", disse Luiz Carlos de Moraes, presidente da Anfavea, que defende a aprovação das reformas tributária e da Previdência no Congresso para alavancar a indústria nacional e alavancar as exportações -- alternativa para reduzir a ociosidade da indústria automotiva brasileira, hoje com capacidade para até 5 milhões de veículos/ano.
O mesmo estudo aponta, ainda, que o Brasil tem dificuldades para exportar aos mexicanos. Um carro feito aqui e vendido lá seria 24 pontos percentuais mais caro, em especificações idênticas.
Diante desse cenário, cabe a pergunta: vale a pena fabricar automóvel no Brasil?
"Insistimos porque somos brasileiros, queremos gerar empregos. Temos uma indústria dentre as mais modernas do mundo e não podemos perder essa capacidade. Temos 250 milhões de consumidores potenciais aqui", avalia Moraes.
Para o executivo, o programa automotivo Rota 2030, apresentado no ano passado com metas para a indústria nos próximos anos, já irá equalizar, a médio prazo, duas questões na comparação com os mexicanos: incentivos governamentais altos, com metas agressivas de evolução quanto à eficiência energética, emissões e segurança; e requerimentos de segurança e ambientais alinhados com a regulamentação europeia e dos Estados Unidos. Com isso, aumenta a possibilidade de exportar mais a esses mercados futuramente.
"Faltou ao Rota 2030 tratar da questão tributária, reduzindo a complexidade e a própria carga sobre a produção, ampliar acordos comerciais com outros países e flexibilidade para fornecedores produzirem local ou externamente. Vamos atacar essas questões, já estamos conversando com o governo federal", avalia.
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