Atitude da Ford é absoluto desrespeito ao Brasil, dizem centrais sindicais
O encerramento das atividades da Ford no Brasil é um "desrespeito com o povo brasileiro", disseram hoje, em nota conjunta, as centrais sindicais CUT (Central Única dos Trabalhadores), Força Sindical, UGT (União Geral dos Trabalhadores), CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores) e CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros).
"O anúncio da Ford, empresa presente no Brasil a mais de século, se soma aos anúncios de fechamento da Mercedes-Benz, da Audi e aos milhares de silenciosos fechamentos de micro, pequenas e médias empresas", afirmaram as centrais. "Essas empresas receberam ao longo de décadas, e continuam a receber, bilhões de reais em incentivos e benefícios fiscais".
A atitude da Ford, sem diálogo e depois de tudo que recebeu e ganhou, demonstra o absoluto desrespeito com o país e desconsideração com o povo brasileiro
Os trabalhadores da Ford foram pegos de surpresa com o anúncio, afirmaram sindicalistas. Anteontem, chamando o anúncio de "porrada", o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari (BA), Júlio Bonfim, disse que "nunca imaginaria" um fechamento total das fábricas da Ford no Brasil.
Já o presidente da Força Sindical, Miguel Torres disse que a Ford não teve diálogo com os trabalhadores e demonstrou "total falta de sensibilidade social".
Ontem, em Taubaté (SP) e em Camaçari, trabalhadores protestaram; na Bahia, a manifestação ocorreu mesmo sob chuva.
'Política de destruição'
As centrais também criticaram a postura do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) após o anúncio da Ford: "Para espanto e desespero do povo, o governo, de forma cínica, não se constrangeu em bradar: 'Que vão embora'. Esse foi mais um de seus chocantes absurdos".
Com a fragilização do sistema produtivo, afirmam as centrais, o país regride para a condição de mero exportador de produtos primários como minérios e grãos. "Levando, neste movimento, a grande maioria dos brasileiros a empobrecer ou cair na miséria, enquanto alguns poucos enriquecem. E o governo Bolsonaro avança na implementação dessa política de destruição e aprofundamento da desigualdade social".
Em nota, as centrais ainda propõe algumas ações a serem tomadas após o anúncio da Ford, como a ampliação do diálogo com parlamentares para tratar de iniciativas em relação à Ford e casos semelhantes, além da cooperação com os governadores de São Paulo, Bahia e Ceará —onde a Ford fechou fábricas —para a construção de alternativas.
Outro plano é a realização de reuniões com as centrais sindiciais para encaminhar ações em defesa do emprego, do auxílio emergencial e de vacinas para todos. Uma manifestação também está sendo planejada para o próximo dia 21 nas concessionárias de revenda Ford.
Anteontem, a Ford anunciou o fim da produção de veículos e o fechamento das fábricas de Camaçari (BA), Horizonte (CE) e Taubaté (SP), além do fim da produção de veículos no país.
A marca, que já foi uma das quatro maiores do país em volume de vendas, já tinha fechado a unidade de São Bernardo do Campo (SP) em meados de 2019, onde produzia sua linha de caminhões e o Fiesta, já descontinuados.
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