Topo

Fiat, Jeep e Toyota têm carros internos clonados e sofrem com multas

Divulgação Divulgação
Imagem: Divulgação

Raphael Panaro

Colaboração para o UOL

24/03/2025 05h30

A clonagem de placas de carros não é um fato novo, é verdade. Mas o esquema fraudulento agora atinge as próprias fabricantes de carros no Brasil. Veículos internos usados pelo departamento de comunicação ou marketing, seja para divulgação ou avaliação da imprensa especializada, estão sendo clonados. Bandidos aproveitam a exposição da identificação do automóvel em vídeos ou postagens de influencers e jornalistas nas redes sociais para a prática ilícita. Fiat, Toyota e Jeep são algumas das marcas afetadas.

Além da placa em si, os criminosos falsificam documentos de registro e números de chassi, criando um "clone" do veículo original. Geralmente são usados dados de veículos zero km para emplacar e encobrir veículos roubados ou fraudados. Com isso, o modelo em questão circula livremente e sem qualquer suspeita até que o real proprietário perceba.

Relacionadas

"Descobrimos a ocorrência quando fazemos o licenciamento do veículo, ao receber multas em locais onde nossos carros não rodaram e ao identificarmos transferência de propriedade. Então, registramos os casos através de Boletim de Ocorrência e abrimos os devidos processos administrativos junto às autoridades responsáveis para a regularização de cada carro", conta Jorge Mussi, gerente geral de pós-vendas da Toyota.

A Stellantis, detentora das marcas Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën, por exemplo, não entrou em detalhes, mas também é uma das vítimas e confirmou que existem ocorrências em sua frota interna.

"Tomamos conhecimento dos fatos através, por exemplo, das infrações cometidas em locais onde os carros não rodaram ou pela identificação no Detran de outro proprietário", diz o sucinto comunicado. UOL Carros apurou que, principalmente, Fiat e Jeep, são as marcas mais afetadas.

Para Ivanio Inácio, presidente da Associação Nacional dos Estampadores de Placas de Identificação Veicular (Anepiv), a adulteração se deve à fragilidade nos processos de estampagem e emplacamento. "Além das rotinas sistêmicas entre fornecedores credenciados e órgãos fiscalizadores, há a facilidade no acesso a matérias primas, tanto originais ou semelhantes. Vide diversos casos já encontrados de chapas semi-acabadas serem encontradas em propaganda de sites de varejo", pontua Inácio.

O executivo ainda aponta outro fator que facilita a clonagem: a placa Mercosul. Disponibilizada desde 2020, a identificação deveria trazer benefícios para a segurança, além, claro, da integração dos veículos na região. A realidade, porém, é outra.

"Atualmente, somente os QR Code têm a função de travar as burlas, o que, infelizmente, se mostra insuficiente, já que este item, infelizmente, vem sendo copiado de forma indiscriminada e permitindo que veículos em condição irregular trafeguem pelas cidades.

Após a confirmação da clonagem, as marcas recorrem diretamente às forças policiais. "Registramos B.O. para cada ocorrência e abrimos os processos administrativos junto às autoridades para a regularização de cada carro", diz Mussi, da Toyota, que também coloca a marca à disposição para colaborar com as investigações.

O executivo fala até em prevenção. "Temos fornecedores de serviços eletrônicos que atuam de diversas formas para evitar que essas ocorrências se repitam", completa. A Stellantis segue pelo mesmo caminho. "Como procedimentos adotados, informamos à polícia, colaboramos com as investigações e recolhemos os veículos clonados".

O presidente da Anepiv diz que medidas são tomadas, inclusive com ajuda da tecnologia. E em alguns estados no Brasil a validação dos dados originais dos veículos e proprietários é feita por meio de Inteligência Artificial e em integração junto aos Detrans.

"Esta tecnologia, que pode ser aplicada nos procedimentos de vistoria e/ou emplacamento veicular, juntamente com a emissão automática de nota fiscal, auxilia sobremaneira no combate às fraudes e sonegação fiscal", explica Ivanio Inácio.

A clonagem de veículos é crime previsto no Art. 311 do Código Penal, com pena de reclusão de três a seis anos e multa. O proprietário do veículo clonado pode ter o veículo apreendido e responder criminalmente.


Últimas de Carros