É uma boa hora para Raphinha convidar argentinos à violência?
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Pensei muito se deveria comentar a fala de Raphinha sobre a Argentina. Mais ainda, se havia algo de positivo nela, em qualquer medida. Eis o papo entre o 11 atual e um de nossos maiores craques:
ROMÁRIO: Jogar contra a Argentina, nossa maior rival, e agora, graças a Deus, sem o Messi. Porrada neles?
RAPHINHA: Porrada neles. Sem dúvida. Porrada neles! No campo e fora de campo se tiver que ser!
ROMÁRIO: Gostei, é isso aí. Nos argentinos tem que bater doído, porque eles são f...
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RAPHINHA: Porrada deles.
ROMÁRIO: Para finalizar: vai fazer a p... do gol contra a Argentina.
RAPHINHA: Vou. Com tudo.
Pois bem. Nas últimas duas partidas contra os hermanos, Raphinha não fez praticamente nada — além de tomar uma cotovelada de Otamendi e cinco pontos na boca, em lance que a arbitragem não marcou mesmo depois de analisá-lo no VAR.
Até entendo a vontade do brasileiro de botar banca na frente de um dos nossos maiores atacantes, o desejo de impressionar Romário. As entrevistas do Baixinho raramente terminam sem uma declaração polêmica de quem está do outro lado. Ninguém quer pagar de bobo.
Entendo também a necessidade de mostrar que há vida nesta seleção tão insípida. A fala de Raphinha poderia indicar que algo pulsa neste time modorrento de Dorival Jr.
O problema é o contexto.
Se há algo que o clássico de amanhã não precisa é de convite à violência. Dentro ou fora de campo (em 2023, no Maracanã, o pau quebrou de maneira vexatória quando ainda tocava o hino argentino), o clima é sempre tenso. Sem falar no histórico de racismo do país vizinho em relação a nós.
Neste momento, considerando tal cenário e o nosso futebolzinho, é a hora de cantar de galo? Convém mesmo incitar adversários tão ferrenhos e truculentos? Vale a pena provocar os atuais campeões do mundo, dentro da sua casa? Não é melhor jogar mais bola primeiro?
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