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Julio Gomes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Endrick estreia no profissional. Ultrapreparar um jogador é bom ou ruim?

Endrick com a bola dominada em Palmeiras x Coritiba, pelo Brasileirão - Ettore Chiereguini/AGIF
Endrick com a bola dominada em Palmeiras x Coritiba, pelo Brasileirão Imagem: Ettore Chiereguini/AGIF

07/10/2022 04h00

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Endrick, finalmente, estreou pelo Palmeiras. Foi no jogo de ontem, nos 4 a 0 sobre o Coritiba, mais um passo para um título que já está definido há alguns meses. É incrível falar em "finalmente" quando estamos diante de um garoto de 16 anos, um adolescente prodígio e que promete ser o próximo grande cara do futebol brasileiro.

Em campo, Endrick teve uma chance de gol, o goleiro do Coxa estragou o prazer. Fora de campo, impressionou mais uma vez a capacidade de articulação na entrevista que deu ao Premiere após a partida. Teve tudo, né? Homenagem ao avô que nos deixou recentemente, os créditos todos a Deus ("que sabe a hora certa de as coisas acontecerem") e uma frase surreal entre elogios à torcida do Palmeiras - "depois de jogar na Europa, quero muito voltar a jogar aqui, sou um torcedor".

Caramba! Nem começou, já está indo e... voltando!

A impressão que Endrick me deu foi de um rapaz maduro (mais que o normal para um moleque de 16 anos), focado e essencialmente ultrapreparado para ser quem é - ou quem vai ser, ou quem querem que seja. Um prodígio que já vai sendo lapidado por empresários, clube, treinadores para o estrelato. Já tem media training na veia, podem estar certos.

Não tenho opinião formada sobre isso ser positivo ou negativo, trago apenas uma pensata, como vocês sabem que gosto de fazer.

Por exemplo. Com Vinícius Jr e Rodrygo, errei redondamente. Achava cedo para irem para um clube como o Real Madrid, achava que seria mais produtivo para a carreira deles e para o próprio Real Madrid que tivessem mais experiência no Brasil - convivessem com vitórias, derrotas, críticas, elogios, relação com torcida, mídia, patrocinadores, etc. Errei. O fato de eles terem ido cedo para a Europa fez com que amadurecessem dentro e fora de campo em um ambiente mais profissional. O talento não foi podado por algum tipo de robotização tática. Pelo contrário, eles aprenderam sobre o jogo e puderam seguir colocando em prática o que melhor têm: bola.

Outros, no entanto, saíram muito cedo e claramente não era ainda a hora. Muitos creditam o fracasso à falta de maturidade.

Será que um menino de 16 anos precisa ser "domesticado", ensinado a passar pelas etapas, conduzido por elas, preparado para algo que pode acontecer, mas ainda não aconteceu? Ou será que ele precisa ficar mais solto, pois ainda está em formação como pessoa, cidadão e jogador, portanto as etapas precisam ser vividas de forma mais, digamos, natural?

Será que a ultrapreparação vai travar Endrick? Ou vai fazê-lo explodir de forma mais plena? Será que é cedo para ser jogado no meio de um ambiente profissional? Ou será que este planejamento todo fará com que os atributos dele sejam explorados de forma ótima?

Não sabemos. Vamos realmente ter de esperar. Bem-vindo ao mundo dos adultos, Endrick!

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