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Cuidado! Argentina x Brasil já teve briga que impediu clássico por dez anos

A bobagem de Raphinha, alimentada pela conversa com Romário, talvez não acontecesse se os dois conhecessem histórias do passado de rivalidade e, por vezes, guerra em Argentina x Brasil. Não apenas no terrível episódio em que um caricaturista uruguaio desenhou num periódico argentino uma charge chamando os brasileiros de "macaquitos", o que fez parte da seleção não entrar em campo e disputar-se um jogo de sete contra sete. Isto aconteceu em 1920.

Não é o único, embora provavelmente o mais ofensivo episódio entre os dois países.

Em 1945, o zagueiro Battagliero, do Independiente, envolveu-se em dura dividida com Ademir de Menezes, durante a vitória do Brasil por 3 x 1, em São Januário. Dois meses depois, a seleção viajou ao Monumental de Núñez para disputar o Campeonato Sul-Americano. A decisão, em 10 de fevereiro de 1946, teve o beque fraturado desfilando pelo gramado com uma bengala — há publicações que citam uma maca — para lembrar o episódio do Rio de Janeiro.

Em São Januário, Battagliero havia afirmado que Ademir não teve culpa e sua lesão era resultado de um acidente.

Aos 28 minutos, o meia Jair Rosa Pinto estica a bola e outro zagueiro, Salomón, do Racing, entrou duro. Outra vez levou a pior e ficou estirado em campo, com fratura na perna direita. Imediatamente o campo do River foi invadido e a polícia interveio, separando os brigões e, segundo relatos brasileiros, batendo também.

O ponta esquerda Chico chegou a desmaiar de tanto sofrer com as pancadas. O Brasil não queria dar prosseguimento à partida, mas o chefe do policiamento avisou que, se não voltasse, não teria como conter a fúria do público. Quando a briga começou, o placar apontava 0 x 0. Tucho Méndez marcou aos 39 da primeira etapa e 11 do segundo tempo: Argentina 2 x 0, campeã sul-americana.

O Racing cancelou excursão ao Brasil nas semanas seguintes por temer represálias. A Folha da Manhã escreveu: "O desfecho do prélio Brasil vs Argentina abalou profundamente o intercâmbio esportivo entre os dois países."

O incidente quebrou as relações entre AFA e CBD e as duas seleções só voltaram a se enfrentar dez anos depois, em Montevidéu, pelo Sul-Americano. A seleção só voltou ao território argentino em julho de 1956, empate por 0 x 0 pela Taça do Atlântico.

Em 1950, o então presidente da AFA, Valentín Suárez, declarou que seu país não viria à Copa do Mundo do Brasil, porque a CBD proibia equipes brasileiros de disputarem partidas na Argentina. Não é bem verdade. A Argentina não jogou em 1948 e 1949, por perder grande parte de sua seleção para o Eldorado da Colômbia. Só disputou dois jogos em 1950 e houve esforços com combinados argentinos jogando em São Paulo e Rio de Janeiro em 1948.

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Para evitar brigas, um combinado River-Boca enfrentou a seleção paulista, no Pacaembu, vestindo camisetas do Palmeiras.

Todo este conteúdo pode ser encontrado nos livros BRASIL X ARGENTINA - Histórias do Maior Clássico do Futebol Mundial (Newton César de Oliveira Santos, Ed. Scor, 2009), TODOS OS JOGOS DO BRASIL (Ivan Sóter, André Fontenelle, Mario Levi Schwartz, Dennis Woods e Valmir Storti - Editora Abril, 2005) e ARGENTINA MUNDIAL - Historia de la Selección.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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