Campeões, heróis e vilões entre tapas e beijos
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Na faculdade de comunicação, aprende-se a hierarquizar a notícia.
As notícias, não as teses, porque quem apresenta tese é antropólogo e quem levanta panfleto é manifestante.
Acima das vaidades e das frustrações de cada torcedor está o fato.
Na manhã de sexta-feira, as conversas em cada esquina, todos os botequins e padarias era: Corinthians campeão!
Só depois, no terceiro parágrafo, alguém dirá que o jogo foi ruim, como aconteceu também em 2020, quando o Palmeiras venceu com o último pênalti convertido por Patrick de Paula.
Jogo feio não foi inventado na quinta-feira à noite, em Itaquera. Nem pênalti perdido, ou convertido. Raphael Veiga, maior goleador do Palmeiras em finais, com 12 gols em 23 atuações, perdeu sua oitava cobrança de 48 efetuadas.
Contra Hugo Souza, que defendeu seu sétimo pênalti, cinco no canto direito, dois no esquerdo.
No ano passado, Veiga marcou de pênalti o primeiro da vitória sobre o Santos por 2 x 0. Desta vez, perdeu.
O que perturba é o culto à falta de educação. Nesta semana, Romário foi elogiado por ter arrancado uma declaração de Raphinha que poderia ter acontecido numa sala de aula da quarta série. "E aí, porrada neles?" E a resposta: "É, porrada neles!" Conteúdo zero, cliques aos montes.
Na entrevista coletiva após o vice-campeonato, Abel Ferreira foi criticado por ter dado parabéns ao Corinthians três vezes em cinco minutos. Ora, nunca foi nem merecia ter sido elogiado quando não reconhecia os méritos dos rivais. Desta vez, precisou admitir: o Corinthians foi o melhor time do campeonato.
E Leila Pereira acertou ao afirmar que a delegação palmeirense é sempre bem tratada na Neo Química Arena, embora tenha subestimado os números e não perceber que o Corinthians venceu oito de 21 Dérbis em Itaquera. Ou seja, não ganha sempre.
Mas não se deve entrar na casa do vizinho, nem do rival, e observar o mau gosto da decoração, se houver. Não era o fórum para discutir fair play financeiro, que Leila já debateu na Libra e na CBF. O erro da conta é para ser criticado. Sua gentileza, não.
As finalíssimas servem para nos lembrar que no futebol, metáfora da vida, há vitória e derrota. Se ganha e se perde.
O Brasil já é o país das brigas entre jogadores em todas as finais de campeonatos.
Não precisa ser o lugar onde se elogia a falta de educação.
20 comentários
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Jose Fabiano Coelho Apitandeira
Sem esquecer de parabenizar o Palmeiras, que através da sua presidente, inclusive através do técnico ABEL, ficaram no gramado pousando juntos para fotos. Isso tem a FORÇA ENORME de mostrar aos torcedores atuais e futuros, que o esporte não é um CIRCO DE HORRORES, MAS UM EXEMPLO DE VIDA, ONDE NEM SEMPRE SE GANHA. A DISPUTA FERRENHA DEVE SE RESTRINGIR AO CAMPO COM O DENODO E A FORÇA DOS JOGADORES. BELO ESPETÁCULO O DE ONTEM EM TODOS OS SENTIDOS.
Marcelo Lima Mennocchi
PVC - você poderia também falar sobre os blogueiros que não conseguem enxergar os fatos. O Corinthians já tinha dado inúmeras evidências que era o melhor time do Campeonato Paulista. Me causa estranheza (nó mínimo), os blogueiros do UOL darem em sua maioria palpites onde o Palmeiras faria 2 ou 3 gols no Corinthians. Você não acha que esses blogueiros tem viés?
Marcelo Novaes Pereira
"Na entrevista coletiva após o vice-campeonato, Abel Ferreira foi criticado por ter dado parabéns ao Corinthians três vezes em cinco minutos. Ora, nunca foi nem merecia ter sido elogiado quando não reconhecia os méritos dos rivais". Abel Ferreira SEMPRE (repito: SEMPRE, SEMPRE, SEMPRE) reconheceu os méritos do adversário nas raras derrotas do Palmeiras! Reclamar de erro de arbitragem (quando se sente prejudicado, que é o momento correto para se reclamar) não significa deixar de reconhecer o mérito do adversário. E, se há uma palavra que SEMPRE (repito: SEMPRE, SEMPRE, SEMPRE, SEM NENHUMA EXCEÇÃO) sai da boca de Abel Ferreira nas raras derrotas do Palmeiras, essa palavra é: PARABÉNS (ao adversário).