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Torcedor atleticano conclui que 'era feliz e não sabia' no Brasileiro sem pontos corridos

No Brasileiro de 2010, Atlético-MG livrou-se da queda na penúltima rodada diante do Goiás - Pedro Vilela/AE
No Brasileiro de 2010, Atlético-MG livrou-se da queda na penúltima rodada diante do Goiás Imagem: Pedro Vilela/AE

Bernardo Lacerda

Em Vespasiano (MG)

25/08/2011 07h00

Campeão brasileiro uma única vez, em 1971, portanto há 40 anos, o Atlético-MG chegou a ser vice-campeão do torneio três ocasiões, inclusive uma de forma invicta em 1977 e com 10 pontos a mais que o campeão São Paulo. Essa situação, na opinião dos atleticanos, tornava injusta a forma anterior de disputa, em que o título era decidido no mata-mata. Mas, em sua 8ª participação por pontos corridos, quando figura novamente na zona de degola, os torcedores do time concluem que eram felizes e não sabiam.

ÍDOLO ATLETICANO ADMITE SAUDADES

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    Dadá Maravilha, campeão brasileiro pelo Atlético, em 71, diz que em sua época o time era respeitado

Com a mudança para o sistema do torneio para pontos corridos, em 2003, o torcedor atleticano achou que seus problemas tinham acabado e confiou no retrospecto anterior para imaginar dias de glórias. Não foi o que aconteceu. Ao contrário, no novo formato, o Atlético-MG passou a viver desilusões, sempre amargando campanhas medianas e sem o brilho de outras épocas.

A atual edição do Brasileirão é a nona disputada sob o sistema de pontos corridos. Como foi rebaixado em 2005, o Atlético-MG não disputou a Série A em 2006, quando foi campeão da Série B retornando à elite no ano seguinte. Em suas oito participações, em apenas três o time atleticano ficou entre os 10 primeiros colocados, jamais conseguindo ir para a Libertadores.

Nos outros anos, a equipe lutou contra o rebaixamento e, em um deles foi parar na Segunda Divisão, mostrando a fase de desilusão vivida pela torcida. No ano passado, depois de entrar como favorito sob o comando de Vanderlei Luxemburgo e com muitos reforços contratados, o Atlético-MG se salvou na reta final, após a chegada de Dorival Júnior.

Em 2011, o planejamento foi feito mais uma vez pensando em título, mas a realidade é completamente diferente. O Atlético-MG ocupa a 18ª colocação, com 15 pontos em 54 disputados (aproveitamento de 28%) e acumula o maior número de derrotas entre os 20 participantes, com 11 tropeços. Foram apenas quatro triunfos e três empates, nenhum deles ainda sob o comando de Cuca, que substituiu a Dorival Júnior.

Ao longo dos 32 anos em que o Campeonato Brasileiro foi disputado no sistema de mata-mata, quando se classificavam os oito primeiros colocados que faziam as quartas de final, semifinal e final, para sair o campeão, o Atlético conseguiu chegar quatro vezes as finais do torneio e outras às semifinais, embora sempre esbarrando na hora de ser campeão, a não ser em 1971.

Em 1977, o time atleticano contava com grandes jogadores, como Toninho Cerezo, Reinaldo, entre outros craques, sendo considerado como um dos grandes clubes brasileiros na época. Com excelente campanha, o Atlético-MG terminou o torneio invicto, com 10 pontos a mais do que o São Paulo, que se sagrou campeão, nas cobranças de pênaltis, após empates em 0 a 0 nos 90 minutos e também na prorrogação.

O ex-atacante atleticano, Dario, o Dadá Maravilha, autor do gol do título de 71, reconhece que neste período o torcedor era mais feliz. “Sem dúvida, nesta época a torcida ia ao campo sabendo que o time ia vencer, que ia ter vontade, que ia correr. Muitos já apostavam de quanto seria a vitória, já sabiam disso. O Atlético era respeitado, era time grande, que vencia Flamengo, Corinthians, Santos, São Paulo na casa deles”, lembrou o folclórico atacante.

“Hoje não, o torcedor tem medo do que vai acontecer, do adversário, não tem mais certeza de vitória, da qualidade do time. A torcida sofre, não dorme, não come, fica sempre com medo do que vai acontecer no Brasileiro. Se voltasse ao mata-mata muita coisa iria mudar”, defendeu Dadá Maravilha.

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O torcedor atleticano Rodrigo Caetano, de 58 anos, acredita que no mata-mata, muitas vezes, o Atlético só embalava na reta final, apoiado na força da massa. “A diretoria segue contratando barcas e barcas de jogadores. Antigamente montava um time, quando via que não dava certo contratava outros tantos jogadores, arrumava o time, utilizava jogadores da base e contava com a torcida, que lotava o Mineirão e embalava o time”, comentou.
“Porém, antigamente isso dava certo em muitas vezes, o time classificava em oitavo lugar, na última rodada, mas embalava no final. Hoje não, passa vergonha, a torcida não aguenta mais isso. Os jogadores não conseguem honrar as cores do Atlético”, desabafou Rodrigo Caetano.

Opinião parecida tem o torcedor Mário Aparecido da Silva, de 33 anos, que lembra com saudades do período de mata-mata do Campeonato Brasileiro. “Quem não se lembra do time de 99, que honrava esta camisa, que jogava com a cabeça rachada, que embalado com a torcida conseguia as vitórias épicas. Fico pensando, porque não pode voltar à época de 90, onde a gente era feliz e não sabia”, desabafou.

Das três melhores campanhas atleticanas ao longo dos pontos corridos, curiosamente duas aconteceram sob o comando do técnico Celso Roth. Em 2003, o time mineiro terminou em sétimo lugar, ofuscado pela conquista do inédito título do maior rival, o Cruzeiro. Já em 2009, o clube repetiu a campanha de seis anos atrás.

Nos outros anos, o clube viveu vexames no torneio. Em 2004, foi o 19º, com o Brasileirão sendo disputado com 24 times e quase foi rebaixado, escapando apenas na última rodada. No ano seguinte, a tragédia aconteceu e o Atlético foi rebaixado para a segunda divisão, após terminar a temporada em 20º lugar, entre as 22 equipes.

Na volta à Série A, em 2007, depois de um começo ruim, o alvinegro mineiro conseguiu alcançar a sua terceira melhor colocação, oitavo lugar, mas distante dos primeiros colocados. No ano seguinte, com a vida política conturbada, chegando à renúncia do então presidente Ziza Valadares, o time voltou a passar vergonha no Brasileirão e terminou na 12ª colocação.

Porém, foi em 2010, já no segundo ano de mandato do presidente Alexandre Kalil que a volta para a segunda divisão ficou mais próxima do time mineiro. Com time caro e comandado por Vanderlei Luxemburgo, o Atlético passou 24 rodadas na zona de rebaixamento e apenas após a chegada do técnico Dorival Júnior, conseguiu se safar de nova queda para a segunda divisão.