Rafael Reis

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Opinião

Por que 2023 foi o pior ano da história da seleção brasileira?

Em 1950, o Brasil tomou uma virada do Uruguai, em pleno Maracanã, e deixou escapar aquele que seria seu primeiro título mundial. Em 1966, foi eliminado na fase de grupos da Copa. Em 2001, passou um sufoco danado nas eliminatórias e chegou a perder para Honduras. E, em 2014, quando sediou novamente o torneio mais importante do planeta, levou um histórico 7 a 1 da Alemanha na semifinal.

Todos os anos citados acima são manchas inapagáveis no currículo da seleção mais vitoriosa de todos os tempos. Mas nenhuma dessas temporadas foi marcada por tantos fatos negativos quanto a que chega ao fim oficialmente neste domingo.

Com mais derrotas do que vitórias, o fim de uma invencibilidade que era invejada por todos os cantos, técnicos interinos, indefinição no seu banco de reservas e até ameaças de ser punida pela Fifa, a seleção brasileira teve em 2023 o pior ano de sua centenária história.

Mais derrotas que vitórias

Pela primeira vez em 60 anos, a equipe canarinho teve uma temporada em que saiu de campo mais vezes derrotada do que com um triunfo nas contas. Ao longo de 2023, foram três vitórias, um empate e nada menos que cinco resultados negativos.

O último deles, aliás, acabou com uma das escritas que faziam do Brasil o "país do futebol". Ao ser batido por 1 a 0 pela Argentina, no dia 21 de novembro, no Maracanã, o time pentacampeão mundial perdeu pela primeira vez uma partida como mandante em toda a histórias das eliminatórias da Copa.

A última vez em que a seleção havia fechado um ano "no vermelho" havia sido em 1963, quando teve sete vitórias, três empates e oito derrotas. Só que, na ocasião, a equipe disputou boa parte dos seus compromissos oficiais com uma formação alternativa, sem Pelé, Coutinho, Zito e cia. Na Copa América, por exemplo, não havia sequer um campeão mundial.

Indefinição no banco

O Brasil teve dois técnicos diferentes em 2023. E nenhum deles era realmente o dono da vaga.

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A seleção começou o ano com o interino Ramón Menezes, funcionário das categorias de base da CBF. Depois de derrotas em amistosos para Marrocos e Senegal, ele foi trocado por Fernando Diniz, que passou a dar expediente duplo, já que não deixou o comando do Fluminense.

Apesar de o vencedor da Libertadores não ser oficialmente chamado de interino, a promessa é que ele só permaneceria no cargo até junho de 2024, quando o multicampeão Carlo Ancelotti assumiria a bronca.

Só que o técnico italiano preferiu renovar contrato com o Real Madrid a cumprir a suposta promessa que teria feito ao presidente Ednaldo Rodrigues depois de ver o dirigente deixar o comando da CBF.

Caos no andar de cima

O mandatário da entidade que administra o futebol brasileiro foi afastado do cargo no começo de dezembro pela Justiça do Rio de Janeiro, que considerou ilegal a eleição realizada em março do ano passado, em que Ednaldo foi escolhido para a função.

A intervenção de um órgão externo ao mundo do esporte nos rumos da CBF tem gerado preocupações de que o Brasil possa ser punido pela Fifa e até mesmo sofrer uma suspensão das competições realizadas pela entidade, como a Copa do Mundo.

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A Fifa já avisou os interventores da CBF que virá ao Brasil na segunda semana de janeiro e que nenhuma decisão definitiva sobre o futuro do órgão (como a convocação de novas eleições) deve ser tomada até lá.

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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