Braço da WTorre recebe pedido de falência, mas diz que não venderá estádio
A WTorre, construtora e gestora do Allianz Parque, atravessa problemas financeiros. A empresa reconhece a situação e diz que tudo acontece por causa de investigações da Operação Lava-Jato, que apura o desvio de recursos públicos e a lavagem de dinheiro. Em decorrência disso, os bancos travaram o crédito de forma geral. A crise atinge até quem não está sendo diretamente investigada, como é o caso da responsável pela casa palmeirense.
Alheios a isso, fornecedores contratados querem receber pelos serviços que fizeram. Na Justiça, a Real Arenas, braço da WTorre que opera o estádio, é acionada por falta de pagamentos e tem mais de um pedido de falência. Recentemente, a empresa sinalizou com primeiros sinais de reação ao conseguir acordos com alguns fornecedores, como mostram os documentos oficiais. Por isso, a construtora diz que o direito de explorar o estádio não está à venda.
A WTorre justifica que a operação gira no azul e que o lucro em 2015 pode chegar a R$ 20 milhões. Os problemas são as dívidas contraídas nos últimos anos para a construção do aparelho, que chegam a mais de R$ 670 milhões, segundo nota oficial (veja abaixo).
A empresa argumenta o estádio palmeirense será rentável graças ao lucro da atual temporada e, eventualmente, com o aumento de eventos e shows. Além disso, afirmam que não abandonaram outros investimentos paralelos, como é o caso da construção do Teatro Santander, orçado em R$ 100 milhões. Para vender o estádio palmeirense, "só com uma proposta irrecusável", de acordo com a alta cúpula da construtora.
Nesta sexta-feira, o jornal Folha de S. Paulo disse que a situação crítica fez a construtora receber uma oferta da AEG para vender o Allianz Parque.
Oficialmente, a AEG afirma que não fez proposta. Funcionários ligados à operação do estádio falaram em condição de anonimato ao UOL Esporte e admitem que chegou a ser discutida a possibilidade de assumir a dívida da WTorre em troca de uma participação, mas garantem que não há a menor possibilidade de adquirir todo o aparelho. A construtora diz não ter recebido nem sondagem.
Também afirmam que sabem das dificuldades financeiras da WTorre, mas dizem que têm ótimo relacionamento com a construtora, especialmente pela operação do Allianz Parque estar “no azul”, apesar de alguns planos ainda não terem saído do papel.
O Palmeiras não se pronunciou sobre o caso. A Folha aponta que o presidente palmeirense, Paulo Nobre, tentou reunir investidores para comprar o Allianz Parque, entre eles, a Crefisa.
Palmeiras e WTorre travam uma discussão na arbitragem pelo direito de comercializar cadeiras do estádio. Clube quer ceder 10 mil, enquanto construtora quer ter controle de 100% dos assentos. Além disso, a empresa colocou na discussão o fato dos descontos que são dados pelo Avanti, argumentando que a prática dificulta a venda por um valor maior.
O Palmeiras, no entanto, entende ter o direito de ter relacionamento com seu sócio-torcedor. O Avanti é sucesso absoluto, foi destaque em uma arrancada em 2015 e já é o 2º maior do país no quesito, só atrás do Internacional.
A situação ajuda bastante o clube ter a melhor média de público do Brasileirão. Para enfrentar o Joinville, por exemplo, mais de 20 mil pessoas já garantiram entrada.
VEJA NOTA OFICIAL DA WTORRE
O Grupo WTorre esclarece que não recebeu qualquer proposta, não foi procurado e não mandatou nenhuma entidade do mercado financeiro para a venda de sua arena multiuso.
Em menos de um ano de operação, a arena recebeu mais de 1 milhão de pessoas, em shows, jogos de futebol e eventos corporativos, o que só reforça nossa convicção de que o trabalho que vem sendo desenvolvido está no caminho correto.
Em que pese um ambiente macroeconômico deteriorado, a escassez de crédito que limita o desenvolvimento e a expansão dos negócios no País, enfatizamos que não temos nenhuma intenção de nos desfazermos de um ativo no qual investimos mais do que R$ 670 milhões. Investimos tempo e investimos nossos melhores recursos humanos.
A WTorre tem total interesse no negócio e por isso permanece realizando os investimentos necessários para aprimorar continuamente o que já se mostrou ser um empreendimento vencedor e querido pela Torcida palmeirense e pelo público em geral – em que pese a indisposição que alguns membros do próprio clube nutrem em relação à nossa empresa e ao empreendimento.
Apesar de contar com poucos meses de operação, podemos afirmar que a arena é um sucesso de crítica, de público, financeiro e comercial e é natural que desperte muito interesse e atenção.
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