Infecção de M. Bastos não é grave, mas inspira cuidados, diz especialista
Afastado por tempo indeterminado dos gramados, Michel Bastos possui uma infecção que inspira cuidados. Quem corrobora a cautela adotada pelo Palmeiras é Luiz Gameiro, 41 anos, dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Consultado pelo UOL Esporte, o profissional destacou como a erisipela, um problema de saúde comum a idosos, atingiu um jogador profissional de alto rendimento.
“A bactéria penetra em uma parte profunda da pele, como um machucado, um arranhão, uma micose ou até uma frieira, que é comum entre jogadores de futebol. A pele fica úmida e abre uma pequena fissura. Essas bactérias estão na grama, na terra; às vezes contaminadas por outras pessoas que pisaram”, contou o médico à reportagem.
O principal perigo desta infecção é a possível multiplicação desta bactéria. O ferimento, segundo Luiz Gameiro, é a porta de entrada para o ser microscópico se alojar na pele, que ganha um tom avermelhado e fica sensível e inchada – o paciente também sente dores.
Antibióticos são o principal tratamento e servem justamente para evitar esta proliferação, que, em casos mais raros e em pessoas com a saúde mais comprometida – caso contrário ao de Michel Bastos, um atleta profissional -, podem levar até à morte.
“A bactéria pode até atingir a parte mais profunda que é o tecido subcutâneo, a gordurinha acima da musculatura. É uma infecção importante. Essas bactérias podem cair na circulação sanguínea e se manifestar em outros órgãos, como pulmão. Pode ser fatal, mas hoje em dia cada vez é mais raro. A infecção tem risco maior em pessoas com diabetes, fumantes e doenças associadas que podem gerar algo mais grave”, explica Gameiro.
“A complicação dela mais grave que tem é uma infecção que está em um órgão especifico, e essa infecção ser propagada por um órgão distante, às vezes propagada pelo sangue para outras partes”, acrescenta.
O especialista detalhou motivos que devem ter levado Michel Bastos a contrair a infecção, mesmo não pertencendo a nenhum dos grupos propensos: idosos, obesos, pessoas com dificuldades na circulação sanguínea, com varizes, sedentários e com quadro de insuficiência arterial. O ambiente do futebol, na visão do médico, facilita para a entrada deste tipo de bactéria, ao mesmo tempo em que o físico de atleta torna o tratamento simples, porém cuidadoso.
Segundo explicou Gameiro, atletas estão expostos à erisipela pelo ambiente do dia a dia, com o suor. Qualquer erro no tratamento de uma ferida pode gerar a entrada deste tipo de bactéria.
“As bactérias e os fungos, dois microrganismos diferentes que causam coisas na pele. Esses dois agentes gostam de três coisas: calor, umidade e escuro. Calor, o atleta está sempre suando; umidade tem aumento de temperatura por estar se; exercitando e o escuro que é geralmente estas feridas estão cobertas pela meia, chuteira. O tecido da pele sem ventilar. Isso facilita”, disse.
Michel Bastos se encontra em repouso para curar a infecção. Somente depois de todo o tratamento – com a base de antibióticos na veia, segundo o especialista, são os mais indicados -, o jogador poderá retornar às atividades. O jogador, na última terça-feira, afirmou que o inchaço diminuiu, mas o Palmeiras se mostra cauteloso, como a infecção pede. “É repouso, repouso. Ficar com a perna para cima. Enfim, repouso é fundamental.”
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