Athletico vende réplicas de medalhas da Sul-Americana sem aval da Conmebol
A FUNCAP, Fundação do Athletico Paranaense, entidade ligada ao clube e dirigida pelo segundo secretário do conselho atleticano, Roberto Bonnet, está vendendo réplicas de medalhas da conquista da Copa Sul-Americana 2018 como se fossem originais, emitindo cerificação, e o faz sem anuência da Conmebol, que não reconhece a legitimidade dos itens.
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A entidade distribuiu 40 medalhas aos campeões, com uma lista previamente enviada pelo clube. Os nomes não foram revelados pela Conmebol. O UOL Esporte obteve a informação de que o Athletico mandou fazer 50 medalhas para presentear membros do estafe que não receberam o prêmio original.
O Furacão disputou a competição com 27 jogadores inscritos, mas houve mudanças na listagem ao longo da campanha, com a saída de atletas como Esteban Pavez, que voltou ao Colo-Colo. Além disso, a comissão técnica e membros da diretoria foram indicados para a lista dos 40 nomes.
O anúncio das vendas das medalhas foi feito no Facebook em comunidades da torcida do Athletico por Mariana Benzoni, funcionária da Endeleza, ONG parceira da FUNCAP e que maneja as informações e as medalhas repassadas pelo clube. A reportagem procurou a ONG e tentou falar com um responsável pela negociação, sem sucesso até a publicação desta reportagem.
Conmebol proibiu Chape de fazer medalhas de 2016
Segundo a comunicação da Confederação Sul-Americana de Futebol, "não há autorização para que nenhum clube faça nenhuma réplica de artigos da Conmebol".
Em 2017, após o acidente envolvendo o elenco da Chapecoense, a entidade enviou 40 medalhas ao clube, que desejava presentear os familiares das vítimas e pediu para fazer novas medalhas. Não recebeu a permissão. O clube então improvisou as medalhas que foram destinadas a cerca de 20 famílias.
O Athletico agora vende as medalhas por R$ 1,5 mil a unidade, valor considerado bem abaixo da avaliação de mercado. "É um item raro. Certamente esse valor mal pagaria os custos de uma peça original. A Conmebol ainda vê um valor único nas medalhas, da raridade da conquista", avaliou Miguel Ángel Ortiz, da assessoria de comunicação da confederação, que não revelou o valor de custo das peças originais.
O UOL Esporte buscou a empresa chilena Milled, que faz medalhas e troféus para a Conmebol, mas não obteve respostas dos questionamentos.
A venda de uma réplica não é tipificada no código civil como crime, ao contrário de falsificação. Entretanto, como a produção pertence à Conmebol, que nega ter autorizado o clube, os consumidores que adquiriram o produto podem questionar a legitimidade da peça. A entidade, por sua vez, não retornou os questionamentos da reportagem sobre eventuais penas ao clube pelo ato.
Clube vende itens como se fossem sobra dos originais
Em contatos com a FUNCAP, torcedores obtêm a informação de que as peças são originais e que os recursos são revertidos para a ONG Endeleza, que trabalha com crianças no Quênia.
"São originais da Conmebol. Idênticas as que foram dadas aos jogadores (mesmo material e tudo)", afirmam os responsáveis, que não divulgam o número de medalhas à venda. Os compradores recebem até um certificado feito pelo clube, mas que não é homologado pela Conmebol.
A reportagem identificou ao menos quatro compradores da medalha. O site Furacão.com, que acompanha o noticiário do clube, chegou a conversar com uma família que adquiriu uma peça, tratada como "joia da família". O UOL Esporte falou com o comprador, que pediu que seu nome fosse omitido da matéria porque "No Brasil vítima é otário. Não entendo como o Athletico ia se sujar por valores tão baixos. O Athletico para mim é muito maior que a atual gestão". Ele afirmou que os vendedores asseguraram também a originalidade da peça.
O UOL Esporte buscou informações sobre a compra a partir do número divulgado pelos responsáveis para a venda. A pessoa que toca a negociação afirma que "o clube recebe um número certo de medalhas e pode pedir a fabricação de mais algumas, e foi isso que foi feito". Procurado para esclarecer as informações, o segundo secretário do Athletico e responsável pela FUNCAP, Roberto Bonnet, preferiu não se manifestar.
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