André Jardine reage a "fritura" e ganha fôlego na seleção com vaga olímpica
A vitória com facilidade do Brasil para cima da Argentina dá fôlego para André Jardine como treinador da seleção olímpica na caminhada rumo à disputa de Tóquio-2020. Com mudanças que foram decisivas no triunfo por 3 a 0 no último domingo, o treinador reagiu a críticas que sofreu tanto do público, e de forma velada de dirigentes da CBF e até mesmo de jogadores durante o quadrangular final do Pré-Olímpico.
Depois de uma primeira fase com 100% de aproveitamento, o treinador passou a ser questionado por conta da queda de desempenho justamente na hora mais decisiva do torneio. Nos empates contra a Colômbia e contra o Uruguai, a avaliação foi que o técnico demorou a mexer e errou nas escolhas. Houve, internamente, um princípio de "fritura" e a discussão sobre o "tamanho" do treinador e do quanto ele era respeitado pelos atletas.
No dia após o empate contra os uruguaios, inclusive, Jardine e seus companheiros de comissão técnica tiveram um longo jantar em uma área da concentração em Bucaramanga que varou a madrugada. Ali, eles discutiam a importância de uma boa apresentação contra os argentinos.
Enquanto isso, na CBF, houve dirigentes que tratavam como questão de tempo a troca do treinador mesmo com a classificação que ainda não estava assegurada.
O técnico comentou sobre a pressão que viveu nos momentos finais da competição. "A gente procura desligar da parte de noticiário, porque interfere. Como você disse você somos seres humanos. A gente procurou se fechar muito, deu muito trabalho por aqui. Foram 40 dias de trabalho, tivemos apenas um turno de folga em 40 dias e praticamente não sobra tempo para absorver a pressão externa. A pressão interna existe porque a gente se enxerga vencedor, luta para chegar na seleção e quando chega a gente não quer deixar escapar. Esse é o meu pensamento, da comissão e dos atletas. Tivemos alguns momentos de conversar e o sentimento era esse, de não deixar escapar. A pressão existe sempre e é uma pressão que a gente encara de uma maneira positiva, porque faz mobilizar e ter competência em tudo o que faz. Normal e vão acontecer muitos outros jogos na minha carreira, muitas outras partidas como essa", afirmou na coletiva após o jogo.
Treino fechado e tacada final
Na véspera do jogo contra a Argentina, Jardine resolveu mudar o protocolo e fechou o seu segundo treino em mais de 30 dias de preparação. Não deixou que a imprensa acompanhasse a hora mais importante do treino e prometeu mudanças no time.
Com Pedrinho deslocado para o lado, o retorno de Caio Henrique como titular e a escolha por Ricardo Graça como substituto do suspenso Nino, o time se mostrou leve e fez uma das atuações mais seguras de toda a competição. Ivan praticamente nem tocou na bola.
"A gente viu que as equipes nos estudaram muito. A gente teve dificuldade de criar. Nessa reta final, se exigia um momento de decisão. A variação de sistema, com dois atacantes por dentro, com o Paulinho e o Cunha, a gente tinha treinado isso na Granja e tínhamos gostado do funcionamento. Era uma carta que a gente tinha na manga. Imaginávamos usar. Foi muito importante ter isso na reta final", explicou.
Tudo isso contra a seleção que havia se mostrado a sensação do Pré-Olímpico, com a melhor defesa, o melhor ataque e único time com 100% de aproveitamento até então. Na prática, o que se viu foi um Brasil dominando os argentinos, que se sagraram campeões com seis pontos.
Além da vaga, o Brasil ainda terminou com o artilheiro da competição: Matheus Cunha fez cinco gols e ultrapassou Mac Allister na briga dos goleadores. Ele ainda se firmou ainda mais como o goleador do Projeto Olímpico, com 14 gols em 16 jogos.
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