Mayra Bueno participará na manhã deste sábado (1º) da estreia feminina do UFC na Arábia Saudita. A brasileira superou a preocupação inicial sobre o palco do combate, conhecido internacionalmente pelo cerceamento dos direitos das mulheres, e se impressionou com a recepção que teve no país.
Animada, a lutadora mineira enfatizou que está sendo muito bem tratada e que também fez questão de respeitar os costumes tradicionais, que estabelecem determinadas regras. Portanto, Mayra subirá ao octógono vestindo uma rashguard, camisa esportiva usada no jiu-jítsu, para não mostrar a barriga durante a luta.
Preocupação caiu por terra
Mayra enfrentará a canadense Jasmine Jasudavicious na 1ª e única luta feminina do UFC na Arábia. A maior organização de MMA do mundo estreou no país há menos de um ano, em junho de 2024, mas todos os combates foram entre homens. Dos dez confrontos desta edição, apenas um é feminino.
Inicialmente, a brasileira recebeu a notícia com receio pelas restrições locais. Ela se debruçou sobre uma cartilha do UFC indicando o que se pode e o que não se pode fazer no país para não desrespeitar os costumes sauditas. Mulher e gay, Mayra viajou acompanhada de sua parceira, a também lutadora Glória de Paula, fez um tour pela região e só tem elogios à experiência que está vivendo no local.
A gente ficou preocupada porque as pessoas falam bastante sobre mulheres aqui, que realmente existem regras que as mulheres têm que seguir, mas não é nada tão pesado como as pessoas falam. Eu fiquei preocupada, até por ser uma mulher gay, eu fiquei meio com medo, mas as pessoas falam o que elas não sabem. Aqui é um país extremamente receptivo.
Mayra Bueno, ao UOL
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O UFC encabeçou de mandar todas as regras do que pode e o que não pode fazer, e a gente leu tudo com atenção para não passar dos limites e também não invadir a cultura deles. Está sendo realmente tudo muito maravilhoso. Deram orientação para não pegar na mão, para não abraçar, não beijar, mas não pelo fato de eu ser gay, é pelo fato de que ninguém pode. Homens e mulheres não podem, homens com homem, mulher com mulher, cachorro com cachorro, ninguém pode.
Acolhida na Arábia
A lutadora exaltou a recepção que teve na Arábia Saudita e afirmou que a realidade local é diferente do que se fala no exterior: "País me acolheu desde que pisei aqui". O regime saudita vem nos últimos anos promovendo reformas para dar às mulheres mais liberdade e direitos, que antes eram exclusividade dos homens —como dirigir ou ir a estádios de futebol. No entanto, segue em vigor o sistema de tutelagem, que estabelece que mulheres tenham "responsáveis", assim como tradições restritivas sobre comportamento e vestimenta.
Estou muito honrada de estar fazendo essa luta aqui. É um país que me acolheu desde o momento que eu pisei aqui. As pessoas só me receberam bem, estou muito honrada de estar representando essas mulheres e mostrar para elas, dar uma alegria para elas.
Pude entender um pouco da cultura delas, do que acontece aqui e ver que nada do que as pessoas falam fora daqui é tão real quanto as coisas que as pessoas veem aqui. Às vezes, as pessoas falam coisas que não são reais sobre a Arábia Saudita, sabe? As mulheres aqui são sensacionais, estão tendo um tratamento muito bom. Então, eu estou só alegria de poder representar essas mulheres.
Teve um rapaz que recebeu a gente aqui e que está nos levando para a academia, me levou para todos os lugares aqui e está apresentando a cultura. Tem sido sensacional, sabe? A gente ouve que tem aquela coisa de preconceito, que os homens não falam com mulheres e que... Cara, eles são super respeitosos com mulheres, com a cultura deles, com a nossa cultura, e tem sido maravilhoso. Tem sido um banho de cultura, uma imersão muito grande.
Único veto para a luta
Mayra conta que a única adaptação que terá de fazer para a luta é não mostrar a barriga. A brasileira, então, vestirá um rashguard —assim como já fez em outras ocasiões, incluindo em sua última derrota— para ficar coberta. Antes de subir ao octógono, ela teve a oportunidade de conhecer uma campeã local de muay thai e de observar treinos de mulheres sauditas, além de outros contatos que teve com a cultura saudita.
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O que não pode: mulher mostrar a barriga. Eu vou ter até que lutar de rashguard. Uma coisa que me marcou muito é que aqui tudo que tem para homem, tem para mulher. Porque homens e mulheres não frequentam os mesmos lugares. Tem academia para homem e para mulher. Só que tudo que tem para homem, tem para mulher, então eles não fazem diferença.
Mayra Bueno, ao UOL
Recalculando rota
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Mayra trata a 1ª luta feminina na Arábia Saudita como uma honra e também uma oportunidade de recomeço para si dentro do UFC. A lutadora de 33 anos vem de duas derrotas e fará sua reestreia na categoria peso mosca, depois de ter subido de divisão e disputado o cinturão no peso galo.
Recalcular a rota, né? Eu acho que eu estava procurando desafio. Quando você enfrenta todos os desafios na categoria de cima, passa pelo cinturão, não é qualquer coisa que te motiva mais. Então, eu queria buscar novos desafios, e a categoria do mosca sempre foi um desafio para mim. E começar tudo de novo em busca do cinturão vai ser uma coisa bem divertida para mim.
4 comentários
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Geraldo Jacintho Barbosa
Referente a luta, será transmitida para o Brasil, que horas é quem vai transmitir.?
Lu S Otoni Queir S dos Santos
Ela precisa tirar vários "coelhos da cartola" contar com sorte e acaso tremendos para ganhar de alguém treinado realmente no top5. As lutas que vi dela, as 2 últimas ou 3, em nenhum fundamento ela estava bem treinada, ou se estava esqueceu o que treinou com o técnico.
Amaral Pavan S C Ltda Me
Coisa linda! Não posso perder duas "mulheres" se esmurrando e chutando a cara uma da outra.