Dá para ser um viajante mais econômico em Nova York? Provamos que sim
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Esqueça o papo que Nova York "não é uma cidade barata". É apenas um eufemismo para "é uma cidade muito cara" e não somente para turistas. Para piorar, o dólar segue nada convidativo aos brasileiros, o que pode atrapalhar um tanto a vida de quem sonha em conhecer ou quer voltar à Big Apple.
Em viagem, ainda vale o ditado "quem converte não diverte", claro, mas quem gasta sem inteligência, passa aperto rapidinho.
Tudo o que você lerá a seguir foi fruto de uma profunda pesquisa (férias) realizada nos meses de fevereiro e março de 2025 e vale para todos os públicos que desejam controlar algumas despesas básicas de um lado para investir nos "desejos" - um showzinho, um joguinho de hóquei, um jantarzinho especial, quem sabe.
Metrô: sim ou não?

Definitivamente, sim. Apesar de um tanto sujo, em alguns momentos e linhas bem lotadas e muito mais fácil de entender pelo Google Maps que pelas placas de sinalização, é o que pode levar o turista para todo canto da cidade e ajuda na chegada e saída pelo aeroporto JFK.
Para quem estiver com uma mala não tão pesada ou tiver pique para subir e descer escadas, uma vez que nem toda estação tem elevadores e escadas rolantes, vale começar e terminar a viagem economizando desde o aeroporto com o Air Train, que leva a duas estações estratégicas (Jamaica e Federal Circle) para chegar a Manhattan ou Brooklyn gastando menos de US$ 12.
Há duas opções econômicas: o MetroCard de 7 dias a US$ 34 — que será descontinuado em dezembro de 2025 — ou a opção testada pela reportagem. O sistema OMNY (não tente acessar do Brasil. Só funciona lá) permite que você cadastre um cartão de débito ou crédito e o utilize para pagar as passagens comuns (no caso US$ 2,90).
O pulo do gato está, no entanto, que num período de 7 dias, se você chegar aos US$ 34 de gasto antes do final do período, as viagens todas são de graça.
Dito e feito: no quinto dia já tinha entrado e saído de tantas estações que me senti muito esperta (e econômica) aproveitando o transporte público "like a new yorker" e "rata de metrô" - aliás, no inverno, nenhum camundongo que tanto falam foi avistado.
Hotel honesto

Desde setembro de 2023, o Airbnb é ilegal em Nova York para estadias de menos de 30 dias, então quem quer economizar pode optar por um hostel ou hotel mais barato. A reportagem foi com a segunda opção.
O nome Pod Hotels faz jus ao tamanho dos quartos (bem pequeninhos), mas para quem viaja solo ou em casal, vale por todo o resto: limpeza, tranquilidade, segurança e localização.
São quatro unidades: uma na Times Square, outra no Brooklyn, mais uma na 39, em Murray Hill, e outra na rua 51, em Turtle Bay, onde a reportagem ficou em um quarto individual com banheiro compartilhado — a poucas quadras de Rockfeller Center, Chrysler Building e Empire State Building. Nos dias mais quentes do fim do inverno (aqueles de 6°C), dava até para aproveitar o rooftop.
Vale sempre a pena pesquisar nos principais sites de reservas, que oferecem bons descontos a todo momento, mas também é interessante ficar de olho na Semana dos Hotéis da cidade, entre janeiro e fevereiro, com promoções em hospedagem por toda a cidade.
O turista econômico trabalha com antecipação e pesquisa, lembre-se.
Fome em NY? Jamais

Não precisa viver de fast-food para comer mais barato em Nova York, basta fugir das armadilhas para turistas (como os restaurantes de Times Square, cenários de filmes ou séries famosas, lanchonetes de museus e grandes atrações e os italianos da Little Italy - onde um espaguete com uma almôndega no Benito One era bem gostoso, mas não merecia preço tão alto) e armadilhas para locais (cafeterias superfaturadas e restaurantes instagramáveis).
Café da manhã bem ao estilo da cidade é um bom é velho bagel. Há diversas lojas com o pão redondinho, recheios diversos e fartura (todos são enormes para alguém de apetite normal).
Se deu vontade de lanche de um lanchinho, pizzas, kebabs, hand rolls, hot-dogs e, no frio, potentes sopas são encontradas com facilidade nos food trucks e pequenas janelas de take-out pela cidade toda (inclusive a eternizada pela série Seinfeld e seu "Soup Nazi", com muito menos complicação que a ficção).

Não hesite em explorar mercados gastronômicos que pipocam pela cidade: o variado TimeOut Market no Dumbo no Brooklyn (e com nova unidade em Union Square) - frango frito com picles do Jacob's Pickles, vai por mim; o hipsteria total do imperdível Chelsea Market, o pequeno notável Market 57 (com um simpático rooftop voltado para Little Island) e o achadinho do coração, idealizado por Anthony Bourdain que oferece só comida asiática de vários países, Urban Hawker.
A reportagem é bem adepta do almojanta (aquela refeição que te sustenta por boa parte do dia mesmo nas andanças), mas também da paz de espírito, então aqui vão recomendações fora das loucuradas turísticas.
Uma massa boa e bem servida? Vai de Norma, Bib Gourmand no Michelin.
Rámen de uma das maiores estrelas da cidade? Corra para um dos Momofuku Noodle Bar e aproveite a opção mais em conta do dia.
Comidinhas de deli sem as filas do Katz? Direto para o 2nd Ave Deli ou para Russ & Daughters (a melhor babka da vida).
Comida para aquecer a alma? Prove o generoso e baratíssimo borsch vermelho da Little Poland.
Kebabs e falafel com uma pimenta diabolicamente boa? Dica de Benny Novak: Mamoun's Falafel.
Bateu uma vontade de docinho? Milk Bar sem piscar.

E nunca, jamais, em tempo algum, deixe de pagar gorjeta (isso vale também para taxistas). Por lá, as taxas sugeridas ficam entre 18% a 25% (estranho? Mas vi).
Diversão: respirou, pagou (mas pode ser mais barato)

Passear pelo Central Park, Little Island e High Line é de graça, entrar no hall do Crysler e do prédio do Daily News (fazer o Superman) também. Fora o que é grátis, tudo pesa um tanto no bolso do turista. Porém, há soluções para pagar menos por muita diversão.
Há algumas opções de cartões turísticos pela cidade, mas o mais completo é o oficial City Pass com três modalidades: o mais simples e barato com três atrações (US$ 109), o intermediário com cinco atrações (US$ 154) e o mais completo com 10 atrações (US$ 239).
A reportagem testou a segunda opção* e com o passe foi ao Observatório do Edifício Empire State (preço normal US$ 79), ao Museu Americano de História Natural (US$ 30), ao Memorial e Museu do 11 se setembro (US$ 36), ao passeio por Estátua da Liberdade e Ilha Ellis (US$ 32,50) e ao Museu Guggenheim (US$ 15). Tudo marcado antecipadamente, zero perrengue e uma economia de uns US$ 40 - um ingresso para o Metropolitan Museum Of Art e uns quebrados.

Outra dica de ouro para explorar grandes museus é sempre visitar os sites oficiais dos museus e buscar por "possibilidades de desconto" nos ingressos.
Alguns oferecem dias gratuitos, como as segundas do Museu do 11 de Setembro, outros dias em que você paga o que desejar e tem até parcerias de museus e vistas que fazem boas parcerias em que você paga um só ingresso (caso de Rockfeller Center e Guggenheim). Foi assim que a reportagem visitou, de graça, o Jewish Museum num sábado e o Museum on Eldridge Street em uma sexta a US$ 15 - e não os US$ 30 - com um ótimo tour de uma hora.
Para Met, MoMa e SUMMIT Valderbilt, não encontramos como economizar.

Para o disputado Edge, há uma dica de um espalhada pelas redes: ir até o Peak with Priceless Restaurant & Bar, no 101 andar do complexo e pedir um drinque e um petisco para espiar a vista sem pagar os US$ 40 de ingresso normal.
Talvez a reportagem tenha algum limite em sua "pão-durice", pois não teve cara para testar.
*A jornalista testou o CityPass a convite de NYC Tourism e Interamerican
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