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Mônica Waldvogel: 'Frio na barriga só some quando a arrogância toma conta'

De Splash, em São Paulo

25/03/2025 05h30

Mônica Waldvogel, 69, estreia no próximo dia 5 de abril no comando do Liderança S/A. O novo programa da GloboNews será semanal e trará entrevistas com grandes executivos do mercado financeiro com a meta de mostrar o lado humano do mundo dos negócios.

Vamos tentar humanizar o perfil do líder. Às vezes, idolatramos certos perfis empresariais, certos CEOs, como se eles fossem os únicos e grandes responsáveis pelo sucesso de um empreendimento. Porém, se você vai ver, vai descobrir que eles têm falhas, também erraram, têm dificuldades em enfrentar choques de mentalidade entre o que eles pensam e o que as novas gerações trazem. Portanto, não é tão simples, assim, ser um líder.
Mônica Waldvogel, em entrevista exclusiva para Splash

A proposta da atração, que será em parceria com o jornal Valor Econômico, não é trazer conteúdo técnico. A ideia é tratar como é o papel de um líder no ambiente de trabalho. "O que faz o líder? O que faz aquele ser diferente do outro para aquele tipo de negócio? Quais são as aptidões, quais são as dificuldades, quais são os embates internos que eles enfrentam e com quais atividades eles compensam o grande estresse".

Queremos conquistar você que trabalha numa corporação, que lida com o seu líder, que tem aspiração na carreira, que quer ser um líder em algum momento, é bom aprender com experiências dos outros. Aliás, é interessante quando nos confrontamos com uma pessoa diferente da gente, nos faz aprender sobre nós mesmos.

"Saia Justa foi diferente"

Mônica Waldvogel tem quase 40 anos de TV Globo. Ela iniciou sua trajetória no canal como repórter de economia em 1987, trabalhou como correspondente internacional nos Estados Unidos e se tornou apresentadora do Bom Dia Brasil, no fim da década de 1990. Em 2002, a jornalista entrou no GNT para apresentar o Saia Justa e, em paralelo, atuou como editora-chefe do Fala Brasil (Record, 2001-2003) e como apresentadora do Dois em Um (SBT) entre 2004 e 2006.

Monica Waldvogel no comando do Em Ponto Imagem: Reprodução/GloboNews

Em 2006, Mônica passou a integrar o quadro da GloboNews como comentarista e repórter e se tornou fixa do canal após sair do Saia Justa, em 2012. Em avaliação da carreira, ela se diz feliz e realizada com todos os desafios que vivenciou na TV.

Gostei de todas as fases da minha carreira. Passei por muita coisa, já são quase 40 anos, sempre na televisão, seja no jornalismo, na reportagem, ou na apresentação e na edição de jornais. Passei também pelo entretenimento, lá no Saia Justa, por programas de entrevista, e cada atração em que estou é o momento. Eu me concentro naquilo, olho tranquilo como a coisa mais importante que tem na minha vida. Então, eu sempre me senti bem e gosto do que eu faço.

A jornalista destaca que a experiência de 11 anos no comando do Saia Justa foi marcante na sua carreira. "Estou numa boa fase, como eu estava numa boa fase no Saia Justa, que foi tão diferente do que eu fiz. Como eu gosto, não fico me preocupando muito com para onde estou indo, de onde eu vim, o que aconteceu, o que vai acontecer, o que acontecerá. Não, eu me concentro naquele período, naquele momento e sou feliz, acho que é o melhor jeito."

Experiência na atração do GNT fez Waldvogel exercer, sim, o jornalismo, mas, ao mesmo tempo, aprender a ser leve para um programa de entretenimento. "Nossa, foi muito diferente. Imagina, eu era uma jornalista com todos os rigores e aí você vai encarar a Rita Lee, a Fernanda Young, a Marisa Orth, que não tinham nenhuma das contrições que eu tinha por formação e elas me ajudaram mesmo a desenvolver um jogo de cintura e tudo mais.

Por outro lado, também tinha a função de estar olhando do ponto de vista do conteúdo do que elas diziam e se tivesse alguma coisa muito fora do esquadro, corrigir, trazer pros trilhos. Era minha função não deixar uma desinformação andar pra frente. Foi muito divertido, porque o que eu aprendi com elas melhorou a minha vida, o que elas afetaram a minha vida foi muito impressionante.

Marisa Orth, Fernanda Young, Rita Lee e Mônica Waldvogel (da esq. para a dir.) na primeira formação do Saia-Justa Imagem: Divulgação

"Realizei o sonho de ser jornalista"

Aos 69, Mônica Waldvogel comanda dois programas dentro da GloboNews e se diz realizada pessoal e profissionalmente. Ela afirma que se tornar jornalista foi é a realização do seu maior sonho de vida.

Não sou uma sonhadora. As coisas foram acontecendo na minha vida. Lá atrás, quando pensei em ser jornalista, eu sonhava em ser jornalista e realizei o sonho. As formas como eu exercitei o jornalismo foram-me dadas pelas oportunidades, as circunstâncias, os acasos, porque você estava num momento certo e alguém te escolheu. Então, o sonho foi realizado lá atrás, quando eu consegui, pela primeira vez, ser jornalista. O resto tudo foi bônus e, hoje, estou vivendo e curtindo.

Prestes a estrear um novo programa, ela não esconde que seus 40 anos de jornalismo não impedem de ter o famoso "frio na barriga". "Sempre tem, né? Porque toda vez que você vai enfrentar uma novidade, alguma coisa que você nunca viu, você tem que ser suficientemente humilde para entender o tamanho da sua ignorância e a partir dali ir construindo e tendo um novo conhecimento".

Se você não tiver frio na barriga, é porque está tomado por algum tipo de arrogância. Uma arrogância de: 'sei lá, sei tudo, vou fazer do meu jeito'. Essa é a receita certa é para você quebrar a cara. A minha receitinha sempre é, 'seja aluna, aprenda com os professores, identifique os mestres, porque todo dia a gente tem que aprender alguma coisa nova, uma coisa diferente e alguma coisa desafiadora'.