O que sabemos sobre o primeiro teste de covid 100% caseiro feito no celular
Sem tempo, irmão
- App com inteligência artificial analisa amostra dentro de casa
- Resultado do novo teste sai em poucos segundos no celular
- Teste ainda está sob análise da FDA, agência reguladora dos Estados Unidos
- Fabricantes esperam poder comercializar teste nos próximos meses
Os casos de covid-19 continuam surgindo pelo mundo e acelerando o combate à pandemia em várias frentes, como testes mais acessíveis. Uma parceria entre duas startups nos EUA —Cellex, de biotecnologia, e Gauss, de visão computacional na saúde— criou uma solução que, se aprovada, será um marco: no caso, o primeiro teste de covid que pode ser feito totalmente em casa, sem ajuda de especialistas ou envio do material coletado a laboratórios.
Atualmente o teste está sob análise da FDA (Food and Drugs Administration), agência de regulação de fármacos e alimentos nos Estados Unidos. Os fabricantes esperam uma autorização ao longo dos próximos meses e prometem que a solução será escalável e com baixo custo. A novidade utiliza inteligência artificial para apresentar o resultado.
O exame atua na proteína do núcleo do SARS-CoV-2 —o novo coronavírus— e demonstrou sensibilidade de quase 90% nas avaliações iniciais, percentuais que estão em linha com outros produtos presentes no mercado para testes de triagem.
Como funciona?
Para realizar o procedimento em casa, as pessoas precisam do kit do teste e também de um smartphone. O primeiro passo é a introdução de um cotonete para a coleta nasal da amostra, que será colocada no tubo com a solução onde o teste é realizado.
Passados 15 minutos para a reação do vírus, o aplicativo solicita que o usuário escaneie o teste rápido com o smartphone, processando a imagem a partir de uma arquitetura de rede neural de ponta a ponta e apresentando o resultado em alguns segundos.
Segundo os fabricantes, esse produto usa uma tecnologia de leitura de inteligência, criada pela Gauss e ainda em fase de aprovação de patente, que supera o limite de detecção do olho humano destreinado e também pode minimizar dubiedades na interpretação dos resultados.
Os "poréns" da novidade
Para profissionais ouvidos por Tilt, a solução é bem-vinda por se juntar a outras ações que buscam evitar a expansão da pandemia e por ser uma opção mais acessível e prática.
"O teste pode ajudar no rastreamento de pessoas com quem o doente teve contato. Se alguém for diagnosticado com covid-19, os seus amigos e familiares podem fazer esse exame e, dando positivo, se isolar com maior rapidez", afirma Raphael Rangel, biomédico e virologista do IBMR (Instituto Brasileiro de Medicina e Reabilitação), no Rio de Janeiro.
Segundo o profissional, testes como esse precisam ser entendidos como um processo de triagem, não como um diagnóstico em si. Em casos positivos, o procedimento adequado seria o pedido de exames com técnicas mais convencionais para a confirmação.
Entre os pontos de atenção, os especialistas consideram que a eficácia desse tipo de exame passa muito pela compreensão em relação aos resultados e também pela forma como a mensagem será transmitida.
"De forma geral, é sempre preocupante quando você tem um autoteste, quando esse procedimento não é feito por um profissional. Isso porque as pessoas precisam entender o que aquele resultado significa efetivamente. Há um risco de desinformação", analisa Alessandro dos Santos Farias, professor do Instituto de Biologia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e coordenador da Frente de Diagnósticos da Força Tarefa da universidade.
Na mesma linha, Rangel afirma que é preciso ficar atento à reação das pessoas. "Por mais que a inteligência artificial possa ajudar na interpretação do exame, qual será a atitude daquela pessoa ao saber que está com covid-19, por exemplo, e que é assintomática? Talvez falte a instrução pós-diagnóstico", complementa.
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