Computador de R$ 100 milhões da Petrobras é 1.950 vezes mais rápido que PS5
A Petrobras anunciou que começou a receber os equipamentos que compõem seu novo supercomputador, chamado de Dragão, que será usado pela companhia principalmente para processamento de dados geofísicos em áreas de interesse para exploração de óleo e gás. Com capacidade de processamento cerca de 1.950 vezes superior ao PS5, o equipamento custará R$ 100 milhões à empresa.
A estatal vem investindo em computadores de alto desempenho. Colocou nove supercomputadores em produção nos últimos dois anos, incluindo o Atlas e o Fênix, até então os dois maiores da América Latina. Agora, o Dragão chega para superar a capacidade desses dois últimos.
"Estamos aumentando, sucessivamente e significativamente, a capacidade de processamento da Petrobras para dar suporte às atividades e a planos estratégicos da companhia. Com foco na agregação de valor, conferimos mais agilidade, segurança e resiliência às nossas operações", afirma o diretor de Transformação Digital e Inovação, Nicolás Simone.
Segundo a empresa, o Dragão servirá de suporte para exploração e desenvolvimento de campos do pré-sal, tornando mais precisa a descoberta de novos campos e agilizando o início da produção. "A máquina é capaz de melhorar as imagens de subsuperfície, permitindo a redução de custos e de riscos exploratórios e de produção", disse a estatal a Tilt.
A Petrobras espera que o equipamento comece as operações no segundo semestre de 2021, já que a montagem poderá durar até três meses, passando por instalações de softwares e operação assistida.
Apesar do investimento de R$ 100 milhões parecer alto, a estatal afirma que, "em casos recentes de investimento em supercomputadores, a companhia teve retorno de 8,5 vezes o capital investido em apenas seis meses".
Gigante
Devido a quantidade de equipamentos que o compõem, foram necessários dez caminhões para transportar o supercomputador Dragão. Se fosse instalado em uma única fileira, o computador teria mais de 34 metros de comprimento.
Segundo a Petrobras, o Dragão tem 100 terabytes de memória RAM, rede de 100 gigabits por segundo, e milhões de processadores matemáticos.
Capacidade
Além disso, o Dragão tem capacidade de processamento de 20,6 petaflops (Pflops), acima de Atlas e Fênix, que possuem 14,36 Pflops, segundo a companhia. Flops é sigla em inglês para operações de ponto flutuante por segundo, a unidade de medida que ajuda a entender quantos cálculos uma máquina consegue fazer dentro de um segundo. Quanto maior, melhor.
A letra que vem antes é uma abreviação da potência da máquina, ou seja, Um Kflops (kiloflops), por exemplo, são mil cálculos por segundo; um megaflops significa um milhão. No caso do Dragão, petaflops são quatrilhões de contas por segundo.
Para se ter uma ideia, essa capacidade do Dragão equivale a 4 milhões de telefones celulares e cem mil laptops modernos comuns, segundo a Petrobras. Um Mac Pro, da Apple, por exemplo, consegue atingir 56 teraflops, ou seja, cerca de 357 vezes menos potente que o Dragão, da Petrobras.
Mas se causa espanto em você, vamos pensar no novo Playstation 5, comercializado no Brasil por R$ 4.699. O console tem capacidade de 10,28 teraflops, segundo a Sony, o que significa que precisaríamos de quase 1.950 PS5 para atingirmos a capacidade do Dragão.
Comparação com os mais potentes
A capacidade de processamento do computador Dragão é incomparável com os equipamentos comuns que temos em casa. Mas ainda está bem abaixo dos supercomputadores mais potentes do mundo.
A nível de comparação, a máquina mais potente do mundo atualmente é o Fugaku, do instituto japonês Riken, que tem capacidade de processamento de 442 Pflops, segundo o ranking do site especializado Top500. Ou seja, o líder do ranking mundial é cerca de 21 vezes mais potente que o Dragão.
Reconhecido como o mais rápido do mundo em 2020, o Fugaku desbancou da liderança o Summit, da IBM, que liderou o ranking durante quatro anos consecutivos. O Summit tem capacidade de processamento de 148,6 petaflops, ou seja, sete vezes mais potente que o novo supercomputador da Petrobras.
Em terceiro lugar no ranking mundial está outra supermáquina da IBM, Sierra, com capacidade de processamento de 94,6 petaflops, mais de quatro vezes mais potente que o Dragão.
Mas se tivesse participado da lista divulgada pelo Top500 em novembro de 2020, o Dragão estaria muito bem colocado. Com seus 20,6 petaflops, o supercomputador da Petrobras ficaria na 13ª colocação, atrás do Piz Daint, que tem 21,2 petaflops de capacidade e está localizado na Suíça.
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