No esquenta para o show, C6 Fest faz audição do clássico da dupla Air


Gustavo Brigatti
Colaboração para o TOCA
19/02/2025 13h34
Quem sai de casa na noite de uma terça-feira chuvosa para ouvir um disco de música eletrônica lançado em 1998? Se esse disco for "Moon Safari", do Air, a resposta é: muita gente. E com razão.
Estreia da dupla francesa, formada por Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel, o álbum foi tocado na íntegra no Matiz, bar descolado do Centro Histórico de São Paulo, como espécie de aquece para o C6 Fest - onde será executado da mesma maneira pelo Air, só que ao vivo, no dia 24 de maio.
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O show pega a turnê de aniversário de 25 anos do disco, considerado um marco da música eletrônica por tirar o gênero da pista de dança e colocá-lo em um lugar mais contemplativo - no lounge, por assim dizer.
"Era um momento que tinha uma ascensão do trance e do house progressivo", comentou Ronaldo Lemos, um dos curadores do C6, logo após a primeira audição. "Aí vem o Air e propõe uma nova visão para a música eletrônica. Uma música que não era necessariamente para os clubes, você ouvia também em casa".
Diferentemente de seus conterrâneos, como o Daft Punk, Cassius e Stardust, o Air trabalhava muito com instrumentos tradicionais, como baixo, percussão, guitarra e piano, criando texturas sonoras ricas e envolventes.
Com elementos de soul, jazz e pop, eles fizeram a música eletrônica mais orgânica que se tinha notícia - e estouraram a bolha da cena francesa noventista, a French Touch.
Gorila sexy
Um dos responsáveis pelo estouro do Air foi a música "Sexy Boy". Maior hit de "Moon Safari", o dream pop etéreo ganhou um clipe que assaltava a programação da MTV naquele final dos anos 1990 como um corpo estranho e hipnotizante.
A animação que mostrava Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel perseguindo um gorila de pelúcia desafiava a onipresença frenética das novas divas da música pop, boy bands e baderneiros do nu metal na rede musical.
Para Lemos, esse é um dos pontos que tornam "Moon Safari" atemporal e vívido mais de 25 anos depois de sua estreia.
"Ele continua ensinando artistas a pensar a música de maneira diferente e ser revolucionário. Às vezes, não é ser frenético, é desacelerar", pontua. "Porque essas obras, que a gente hoje, com a distância do tempo, pode chamar de clássicas, não envelhecem. Elas apenas encontram novas formas de se conectar com a gente ao longo do tempo".
Esse modelo de música eletrônica, contemplativa e classuda, Lemos pontua, persiste até hoje - inclusive no Brasil.
"A gente olha para um monte de gente no Brasil e encontra ecos do Air. Seja no Rubel, no Boogarins ou na Mahmundi."