Motorista cita Anitta para justificar assédio e ela rebate: NADA justifica
A cantora Anitta usou o Twitter para criticar o motorista de Uber André Lopes Machado, 43, que assediou uma adolescente de 17 anos durante uma corrida. O caso, que ocorreu na cidade de Viamão (RS), tem sido compartilhado nas redes sociais desde domingo, quando a jovem postou o vídeo em que o homem fala frases como "Eu faria coisas [com você] que teu pai não faria".
Ao deixar a delegacia onde prestou depoimento no início da tarde de hoje, o homem disse a uma emissora de TV que jovem "estava com um short do tipo Anitta, miniblusa e com as pernas abertas" e reafirmou a frase para a reportagem de Universa. A cantora postou o vídeo da fala do motorista e rebateu seus comentários. "Quanto à menina estar usando um short "tipo Anitta", pra mim significa que ela é independente, não tem medo de ser quem ela quer e, acima de tudo, bem inteligente pra denunciar e expor um assediador para que outras meninas não passem pelo mesmo que ela", escreveu em seu Twitter.
"NADA justifica um assédio. A forma de se vestir, sentar, falar etc não significa qualquer autorização ou pedido ou convite a ser assediada e/ou invadida, abusada, estuprada etc", comentou Anitta.
Para Universa, o motorista André Lopes Machado afirmou que a adolescente se insinuou para ele. "Ao invés de ficar atrás do banco, como todo mundo fica, ela sentou na diagonal e abriu as pernas. Quando eu percebi, eu parei de olhar. Tava usando um shortinho estilo Anitta."
O condutor admite que elogiou a beleza da adolescente, mas que achou que fosse maior de idade. "Meu erro principal era ter feito isso contra menor. Mas ela tem um corpo de adulto."
O motorista afirmou à reportagem que não percebeu que estava sendo gravado, mas diz que a conversa foi editada. "Ela tinha me perguntado se importava o namorado ser mais velho que ela. E por isso que eu respondi aquilo [que namoraria com ela]. O vídeo foi editado umas quatro vezes. Mostra que ela queria derrubar alguém e acabou sendo eu." O condutor trabalhava com a Uber e outro aplicativo, mas devido à repercussão do caso, acabou sendo banido das duas plataformas.
Em depoimento, motorista nega assédio
Em depoimento, o motorista de 43 anos negou que tenha cometido assédio, segundo a delegacia que investiga o caso.
"Ele entende que o comportamento dele não foi inapropriado. Alegou que nunca teve problema com passageiro e que era bem avaliado", observa a delegada Marina Machado Dillenburg, responsável pela investigação. O homem afirmou ainda que o vídeo foi editado e que a conversa foi retirada de outro contexto. "Para ele, estava tendo uma conversa normal."
O depoimento levou cerca de 15 minutos e ocorreu no começo da tarde de hoje, após ele chegar à 1ª Delegacia de Polícia desacompanhado.
A polícia trabalha com três linhas de investigação neste caso.
A primeira delas é que tenha ocorrido uma perturbação da tranquilidade, considerada contravenção penal e com pena de 15 dias a três meses. "Mas a gente está aguardando provas, eventuais denúncias, no qual ele pode ter tido um outro comportamento", diz a delegada. Os investigadores também trabalham com a possibilidade de crime contra a honra, no caso de o motorista ter injuriado a adolescente.
Por último, de importunação sexual. Nas três linhas, o fato de ter ocorrido contra uma garota de 17 anos eventualmente pode ser considerado como agravante pelo juiz.
A polícia aguarda da Uber mais informações sobre o motorista e espera que outras vítimas que procuraram a jovem pelas redes sociais relatando casos similares entrem em contato com a delegacia e façam o depoimento formal. Denúncias podem ser feitas pelo telefone (51) 3435-9315.
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