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Pedro Severino evita morte encefálica após tossir; como é o procedimento?

Pedro Severino, do Red Bull Bragantino - Reprodução/Instagram Pedro Severino, do Red Bull Bragantino - Reprodução/Instagram
Pedro Severino, do Red Bull Bragantino Imagem: Reprodução/Instagram

Colaboração para o UOL*

25/03/2025 09h30

Pedro Severino, jogador do Red Bull Bragantino, teve o protocolo de morte encefálica iniciado após acidente grave, mas surpreendeu médicos ao reagir antes da conclusão do diagnóstico.

O que aconteceu

Pedro Severino teve protocolo de morte encefálica iniciado após acidente em 4 de março, mas o processo foi interrompido quando ele apresentou reação clínica inesperada. Duas semanas depois, o atleta deixou a UTI e passou a respirar de forma espontânea.

O atacante do time sub-20 do Red Bull Bragantino sofreu traumatismo craniano após o carro em que estava colidir com um caminhão na rodovia Anhanguera, em Americana (SP). Ele foi internado em estado gravíssimo no Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi.

No dia seguinte ao acidente, o hospital anunciou o início do protocolo de morte encefálica. No entanto, durante o processo de retirada da sedação, Pedro tossiu - o que indicou atividade neurológica e levou à interrupção do procedimento. Desde então, o jogador foi transferido para a Unimed Ribeirão Preto, onde vem apresentando melhora gradual.

O que é morte encefálica

A morte encefálica, popularmente conhecida como morte cerebral, é caracterizada pela ausência irreversível de todas as funções cerebrais. O diagnóstico é criterioso e obrigatório antes que se considere, por exemplo, a possibilidade de doação de órgãos.

O quadro ocorre quando há falência dos mecanismos que regulam o fluxo de sangue no cérebro. Em casos de traumatismo craniano grave, como o de Pedro, o aumento da pressão intracraniana impede a circulação sanguínea e provoca a perda total das funções cerebrais.

Mesmo com a parada da atividade cerebral, o coração pode continuar batendo com ajuda de aparelhos. Essa situação é mantida artificialmente por tempo limitado, até que se complete o protocolo de confirmação.

Como é feito o protocolo médico

O processo de confirmação da morte encefálica é definido por resolução do Conselho Federal de Medicina. Ele só pode ser iniciado quando o paciente está em coma não perceptivo, sem reatividade neurológica e com ausência de respiração espontânea.

Dois médicos diferentes precisam realizar exames clínicos com intervalo mínimo de uma hora. Entre os testes, estão a verificação de reflexos do tronco encefálico e o teste de apneia, que avalia a capacidade respiratória do paciente sem ajuda mecânica.

Além da avaliação clínica, um exame complementar precisa confirmar ausência de atividade cerebral. Isso pode ser feito por exames como angiografia cerebral, eletroencefalograma, doppler transcraniano ou cintilografia.

Pedro deixou a UTI do Hospital Unimed Ribeirão Preto no dia 24 de março e foi transferido para o quarto, respirando sem ventilação mecânica. Segundo boletim médico, o quadro clínico é estável, embora o estado neurológico siga exigindo atenção.

O jovem atleta está internado desde o dia 6 de março em Ribeirão Preto, após ser transferido de Americana. A equipe médica que o acompanha é composta por intensivistas, neurocirurgiões, neurologistas clínicos e equipe multidisciplinar, sob coordenação do médico Gil Teixeira.

Pedro permanece sob cuidados de alta complexidade, com manutenção da internação hospitalar. Segundo a equipe médica, a evolução é considerada significativa, especialmente após a gravidade inicial do caso.

*Com matérias publicadas em 05/03/2025.


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